Alfonso Herrera Rodriguez e Anahí Giovanna Puente Portilla ♥
Era uma tarde e Miguel estava no jardim do colégio, onde havia combinado um encontro com Mia. Havia chegado mais cedo, e aproveitava esse tempo para pensar em tudo o que havia acontecido em sua vida nos últimos dias. O medo, o vazio e a ansiedade sempre estiveram junto a ele em todos os momentos de sua vida, mas nunca como naquela situação.
Durante aqueles poucos dias em que esteve sequestrado, pensou em sua família, em seus amigos e principalmente em Mia, aquela que ele não suportaria ver triste mais uma vez, triste por sua causa, mais uma vez.
- Feche os olhos e só abra quando eu mandar! - Mia havia chegado e aquela voz o fez perder em seus pensamentos e ele não pode fazer nada além de obedecer – SURPRESA! – Mia segurava uma bandeja pequena que servia um suco de laranja e três ou quatro sanduiches. Miguel não entendia o porquê de tanta serventia - Você gostou?
- Gostei... mas é muito Mia! Você vai ter que me ajudar, tá bom?
- Nem pensar – ela respondeu, devia ter entrado em mais uma dieta, como se ela realmente precisasse - fiz esse lanchinho pra que você pudesse repor tudo o que você perdeu durante os dias que você ficou lá preso. Meu magrinho.
- Mas foi só um dia e aqui tem comida suficiente pra um mendigo desnutrido.
- Não importa, pra mim foi como uma eternidade. Você tem que comer muito bem – Ela insistiu tanto que ele começou a beber o suco, lentamente, depois de um sorriso satisfeito recomeçou a falar - Sabe, primeiro eu fiquei muito chateada com você.
- Por quê? – Não passava pela cabeça dele um motivo pra que ela ficasse chateada, mais um.
- Porque eu achei que você tivesse ido embora, sem se despedir de mim – Ela pensou em todo o drama que viveu antes de saber a verdade, e de tudo o que sentiu ao perceber o que estava acontecendo. Ela tinha sido injusta, tinha feito julgamentos desnecessários.
- Ah Mia, como pensou que eu pudesse ter feito uma coisa dessas com você?
- Porque antes de saber o que tinha acontecido, recebi uma carta sua onde você não mandava beijos ou abraços, nem nada.
- E como você queria que eu te mandasse uma carta bonita, se eu tinha um revólver apontado na minha cabeça?
- Me desculpe, eu não tinha pensado nisso – Miguel riu da voz de culpada que a namorada havia feito.
- Na verdade eu não sei se deveria te desculpar, porque você desconfiou de mim e isso não é justo! - Ele brincou, para que a culpa de Mia ficasse ainda mais estampada no seu rosto.
- Perdão, prometo que não faço mais isso.
- Ok Mia, te perdoo – Acabavam ali as ironias. Ele realmente a perdoava, nunca resistiu aqueles olhos culpados e aquela voz de choro - Acho que esse é o meu ponto fraco. Todas as vezes que te vejo assim, sinto que meu coração derrete.
- É, já ficou todo nervoso né? – Agora era a vez de Mia brincar com a pose engraçada que o namorado exibia – PINK PROMISE! - Miguel olhou tenso ao redor, certificando-se que não havia ninguém por perto – Vai Miguel, faz Pink Promise – Ela olhou pidona.
- Pink Promise! – Os dois riram. Miguel percebia os contrastes entre os dois e achava divertido como eles mantiam a relação, com comprometimento - Você sabe que eu nunca fui muito romântico, mas eu sempre sinto falta de você e desses momentos que me fazem ficar romântico – Ele respirou fundo e prosseguiu - Só queria dizer que lá no cativeiro eu senti ainda mais a sua falta.
- E eu estava angustiada e com medo de que te fizessem algum mal. Mas agora que eu estou aqui com você, sinto como se nada existisse, apenas nós dois.
- O que acha se ficarmos aqui e matar aula, aproveitando esse momento?
- Eu acho ótimo – Podia não ser algo muito significante, mas Mia adorava essas propostas fora das regras - E eu quero ficar aqui, perto do seu coração – Mia se deitou no colo de Miguel e eles se abraçaram - Porque eu gosto de ouvir o som que ele faz.
- E que som é? – Miguel perguntou curioso.
- Diz: TIC TAC, Mia te amo! TIC – Ela riu, deu um beijo nele e o abraçou - Mas sabe o que é melhor? Quando estou aqui sinto que esse lugar é meu e que esses braços são meus também.
- E da minha mãe e da minha irmãzinha. Ou eu não posso abraçá-las também?
- Hmm – Mia hesitou por um momento, mas concordou - Elas tudo bem. Mas eu só empresto os braços!
- Então vem aqui! - Miguel começou a fazer cócegas, Mia riu e se levantou, na tentativa de fugir dele - Por que cada vez que te vejo assim sinto coisas e te amo mais?
- E que coisas? - Rendida à suas palavras, voltou a sentar ao lado dele, esperando mais uma explicação.
- Coisas que não posso dizer, porque são besteiras - Miguel a encarou e ela o olhou incrédula, era óbvio que ela preferia pular esses detalhes.
- Eu só sei que nunca havia me apaixonado assim.
- Nunca, por ninguém?
- Não. Só por você! Eu tinha medo de ficar sozinha, como o meu pai. Ele pensou que ia ser pra sempre, mas foi abandonado.
- Com relação a isso, tenho que te dizer que se eu tenho você aqui comigo, eu não preciso de mais ninguém! Eu amo você e é só de você que eu preciso - Ele deu aquele popular beijo na testa de Mia e ela claramente gostava do que ouvia - E o que eu mais pensava enquanto estava com aqueles caras era que talvez eu nunca mais voltasse a te ver, dizer que te amo, te abraçar e...
- Ainda que não voltasse a dizer nunca, só de ouvir agora eu já fico feliz pelo resto da minha vida.
- Então eu posso te dizer mais uma vez?
- Sim.
- Eu te amo.
- Eu também.
E selaram toda aquela cena romântica com mais um beijo apaixonado, sem saber o que aconteceria e o quanto o destino ainda os separararia, mas com a promessa de que nunca iriam deixar de se preocupar um com o outro e de se amar, porque é assim, assim é e não há como contestar, é assim que acontece.
FIM.
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